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​Rizotomia Dorsal Seletiva

A rizotomia dorsal seletiva (RDS) é um procedimento neurocirúrgico destinado a reduzir a espasticidade por meio da interrupção controlada de parte das fibras sensitivas que participam do arco reflexo medular. O objetivo é diminuir a contração muscular excessiva, facilitar movimentos voluntários, cuidados, posicionamento e reabilitação. A indicação depende do padrão de espasticidade, da força disponível, das deformidades existentes e dos objetivos funcionais definidos pela equipe e pela família.

QUANDO A RIZOTOMIA DORSAL SELETIVA É INDICADA?

A RDS pode ser considerada quando a espasticidade dos membros inferiores limita a marcha, a postura, a higiene, o conforto ou a reabilitação. A seleção é individualizada. São avaliados o diagnóstico neurológico, a distribuição da espasticidade, a presença de distonia, a força muscular, o controle seletivo dos movimentos, as deformidades ortopédicas e o potencial de ganho funcional.

Em crianças com paralisia cerebral, os melhores resultados funcionais costumam ocorrer em pacientes com espasticidade predominante, boa força antigravitacional e capacidade de participar de reabilitação intensiva. Em adultos, o procedimento pode ser considerado em situações selecionadas, como sequelas de lesão medular, esclerose múltipla, acidente vascular cerebral ou traumatismo craniano, quando a espasticidade é um componente relevante do quadro.

COMO É FEITA A CIRURGIA?

Na rizotomia dorsal seletiva lombossacra, as raízes sensitivas são identificadas na região lombar. Seus fascículos são avaliados com monitorização neurofisiológica intraoperatória. Parte das fibras que apresentam respostas motoras anormais é seccionada de forma seletiva, preservando as fibras necessárias para a sensibilidade e para outras funções neurológicas.

A proporção tratada varia conforme o quadro clínico, os achados neurofisiológicos e a estratégia cirúrgica. O objetivo é reduzir a atividade reflexa excessiva mantendo o máximo possível de função útil. A técnica deve ser planejada para cada paciente, e não como uma porcentagem fixa aplicada a todos.

 

RIZOTOMIA LOMBAR E RIZOTOMIA CERVICAL

A rizotomia lombossacra é utilizada principalmente para espasticidade dos membros inferiores. A rizotomia cervical pode ser considerada em situações raras e cuidadosamente selecionadas para espasticidade importante dos membros superiores. Como as raízes cervicais participam da sensibilidade e da função dos braços e das mãos, a avaliação de riscos e benefícios precisa ser especialmente rigorosa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Incisão da Rizotomia Dorsal Seletiva Lombar, com 3 cm

                                                                                                       Uso de neurofisiologia intraoperatória para mapeamento das raízes lombares

                                                             Uso de neurofisiologia intraoperatória para mapeamento das raízes cervicais

AVALIAÇÃO ANTES DA CIRURGIA

A decisão deve envolver uma equipe multidisciplinar. A avaliação pode incluir neurologia ou fisiatria, neurocirurgia funcional, fisioterapia, terapia ocupacional, ortopedia e neurofisiologia. Escalas funcionais, análise da marcha e registros em vídeo ajudam a definir objetivos mensuráveis.

É essencial distinguir espasticidade de distonia, rigidez, retrações musculares e deformidades ósseas. A espasticidade pode, em alguns pacientes, contribuir para manter a postura ou facilitar transferências. Por isso, sua redução deve ser planejada de acordo com a força residual e com as metas individuais.

BENEFÍCIOS ESPERADOS

A RDS produz uma redução duradoura da espasticidade nas regiões tratadas. Entre os possíveis benefícios estão melhora da amplitude dos movimentos, maior facilidade para fisioterapia, cuidados e posicionamento, redução de dor associada aos espasmos e, em pacientes selecionados, melhora da marcha e da independência funcional.

A cirurgia reduz o tônus anormal, mas o ganho funcional depende da força muscular, do controle motor, das deformidades existentes e da reabilitação. A fisioterapia após o procedimento é parte central do tratamento.

RECUPERAÇÃO E REABILITAÇÃO

Após a cirurgia, o paciente permanece em observação hospitalar e recebe tratamento para dor, mobilização e prevenção de complicações. A redução do tônus pode tornar mais evidente uma fraqueza que antes estava mascarada pela espasticidade. O programa de reabilitação é iniciado de forma progressiva e pode se estender por meses.

Em crianças, o planejamento também considera crescimento, alinhamento dos membros e eventual necessidade de tratamento ortopédico complementar. Acompanhamento longitudinal permite ajustar órteses, terapias e metas funcionais.

RISCOS E LIMITAÇÕES

Como em qualquer neurocirurgia, existem riscos relacionados a anestesia, infecção, sangramento, fístula liquórica, dor e cicatrização. Riscos neurológicos incluem alterações sensitivas, fraqueza, disfunção vesical ou intestinal e redução excessiva do tônus. Complicações permanentes são incomuns em centros experientes, mas precisam ser discutidas individualmente.

A RDS não corrige deformidades ósseas estabelecidas, não substitui reabilitação e não trata todos os componentes de um distúrbio motor complexo. Distonia predominante, fraqueza importante ou objetivos funcionais pouco definidos podem reduzir o benefício esperado.

ALTERNATIVAS PARA O TRATAMENTO DA ESPASTICIDADE

As alternativas incluem fisioterapia, órteses, medicamentos orais, toxina botulínica, bomba de baclofeno intratecal, neurotomias periféricas seletivas, procedimentos sobre a zona de entrada das raízes dorsais e cirurgias ortopédicas. A escolha depende de a espasticidade ser focal ou generalizada, das regiões afetadas, da reversibilidade desejada e das condições clínicas do paciente.

PERGUNTAS FREQUENTES

A rizotomia cura a doença neurológica?

A cirurgia atua sobre a espasticidade. A condição que causou a lesão do sistema nervoso continua exigindo acompanhamento.

O resultado é permanente?

A redução da hiperatividade reflexa nas fibras tratadas é duradoura. O resultado funcional depende também de crescimento, reabilitação, força e evolução da doença de base.

Todo paciente com espasticidade pode fazer RDS?

Não. A indicação é reservada a pacientes selecionados após avaliação clínica, funcional e multidisciplinar.

A fisioterapia continua necessária?

Sim. A reabilitação é indispensável para transformar a redução do tônus em melhor controle motor, postura, conforto e função.

AVALIAÇÃO ESPECIALIZADA

A indicação de rizotomia dorsal seletiva deve ser definida após revisão do diagnóstico, exame do padrão de espasticidade, tratamentos anteriores e objetivos do paciente. Para discutir um caso, entre em contato pelo WhatsApp ou agende uma avaliação presencial ou por telemedicina.

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Dr. Eduardo Alho, médico neurociurgião

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