Dr. Eduardo Joaquim Lopes Alho
Neurocirurgião
CRM-SP 109.697
RQE 39.299
Estimulação cerebral profunda (DBS) para doença de Parkinson
A estimulação cerebral profunda, ou DBS, é um tratamento cirúrgico para pessoas com doença de Parkinson que ainda respondem à levodopa, mas apresentam flutuações motoras, períodos OFF, discinesias ou tremor que já não são controlados adequadamente com medicamentos. Eletrodos são implantados em regiões profundas do cérebro e conectados a um gerador programável sob a pele. A estimulação modula os circuitos motores de forma ajustável, sem destruir o tecido cerebral.
QUEM PODE SER CANDIDATO AO DBS?
O DBS pode ser considerado em pessoas com doença de Parkinson idiopática que apresentam benefício claro com a levodopa, mas perderam estabilidade ao longo do dia. Os principais motivos para avaliação são flutuações entre períodos ON e OFF, discinesias relacionadas à medicação, tremor incapacitante, rigidez ou bradicinesia apesar do tratamento clínico otimizado.
A indicação é individualizada. São analisados o diagnóstico, o tempo de doença, os sintomas que mais limitam a vida diária, a resposta aos medicamentos, a autonomia, as condições clínicas e os objetivos do paciente. Idade isoladamente não define a indicação; o estado funcional, cognitivo e clínico tem maior importância.
TESTE DE RESPOSTA À LEVODOPA E AVALIAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA
O teste de levodopa compara o desempenho motor em estado OFF, após suspensão orientada da medicação, e em estado ON, depois de uma dose adequada. A melhora de tremor, rigidez e bradicinesia ajuda a confirmar a responsividade dopaminérgica e a estimar quais sintomas podem responder à cirurgia.
A avaliação pré-operatória costuma incluir neurologia especializada em distúrbios do movimento, neurocirurgia funcional, neuropsicologia, psiquiatria, fisioterapia e exames de neuroimagem. Cognição, humor, equilíbrio, fala, deglutição, marcha e expectativas também são avaliados. O objetivo é selecionar o paciente, definir metas realistas e identificar fatores que possam aumentar riscos.
STN OU GPI: COMO O ALVO É ESCOLHIDO?
O núcleo subtalâmico (STN) e o globo pálido interno (GPi) são alvos consolidados para doença de Parkinson. Ambos podem melhorar tremor, rigidez, bradicinesia e flutuações motoras em pacientes bem selecionados.
A estimulação do STN frequentemente permite maior redução das doses de medicamentos. O GPi possui efeito direto importante sobre discinesias e pode ser preferido quando elas são uma das principais limitações, quando se pretende manter maior flexibilidade medicamentosa ou em determinados perfis cognitivos, psiquiátricos e motores.
A escolha não é automática. Ela considera o padrão dos sintomas, a presença de discinesias, a necessidade de reduzir medicamentos, a marcha, a fala, a cognição, o humor, a anatomia individual e a experiência da equipe.
COMO É REALIZADA A CIRURGIA?
O planejamento utiliza ressonância magnética, tomografia e um sistema estereotáctico para definir o alvo e a trajetória dos eletrodos. A cirurgia pode ser realizada com o paciente acordado em parte do procedimento ou sob anestesia geral, conforme a técnica, o equipamento e as condições individuais.
Em alguns centros, o microrregistro de neurônios e a estimulação intraoperatória ajudam a confirmar a localização e a avaliar possíveis benefícios e efeitos adversos. Em seguida, os eletrodos são conectados por extensões a um gerador implantado geralmente abaixo da clavícula. A programação começa após a recuperação inicial e é ajustada progressivamente.
QUAIS SINTOMAS COSTUMAM MELHOR?
Os sintomas com resposta mais previsível são tremor, rigidez, bradicinesia, flutuações motoras, períodos OFF e discinesias. Em geral, os sintomas que melhoram com levodopa também têm maior probabilidade de responder ao DBS. O tremor pode responder mesmo quando se tornou menos controlável por medicamentos.
O objetivo não é apenas reduzir uma escala motora. A equipe procura ampliar o tempo em bom estado ON, diminuir períodos OFF e movimentos involuntários, facilitar atividades diárias e tornar o tratamento mais estável.
SINTOMAS QUE RESPONDEM MENOS AO DBS
Alterações de equilíbrio, congelamento da marcha, fala e deglutição podem responder de forma variável, especialmente quando já ocorrem durante o melhor estado ON. Demência, perda cognitiva progressiva e sintomas relacionados a outras doenças neurológicas não são tratados pelo DBS.
Sintomas não motores, como depressão, ansiedade, alterações do sono, dor e disfunção autonômica, exigem avaliação específica. Alguns podem se modificar indiretamente com o melhor controle motor, mas não devem ser a principal promessa da cirurgia para doença de Parkinson.
PROGRAMAÇÃO E ACOMPANHAMENTO
O DBS é uma terapia ajustável. Após a implantação, diferentes contatos, amplitudes, larguras de pulso e frequências podem ser testados. Os medicamentos também são revistos de acordo com a resposta. Geralmente são necessárias várias consultas nos primeiros meses até encontrar uma combinação equilibrada entre benefício e efeitos adversos.
O acompanhamento continua ao longo dos anos. Ele inclui revisão dos sintomas, programação, estado da bateria, integridade do sistema, medicamentos, fisioterapia e evolução da doença. Geradores podem ser recarregáveis ou não recarregáveis, e a escolha depende do perfil do paciente e do sistema utilizado.
BENEFÍCIOS, RISCOS E LIMITAÇÕES
Em pacientes corretamente selecionados, o DBS pode proporcionar melhora importante e duradoura dos sintomas motores e da qualidade do período ON. A intensidade do benefício varia e depende do diagnóstico, dos sintomas predominantes, da seleção, do posicionamento dos eletrodos e da programação.
Riscos cirúrgicos incluem hemorragia intracraniana, infecção, crise epiléptica, fístula de líquor, confusão e complicações anestésicas. Podem ocorrer problemas do sistema, como deslocamento ou fratura de componentes e necessidade de revisão cirúrgica. Efeitos relacionados à estimulação podem incluir alterações de fala, equilíbrio, contrações musculares, formigamentos, visão dupla e mudanças de humor ou comportamento. Muitos são reversíveis com reprogramação, mas cada risco deve ser discutido individualmente.
O DBS controla sintomas; a doença de Parkinson continua evoluindo. Medicamentos e reabilitação permanecem parte do tratamento, ainda que suas doses possam ser ajustadas
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PERGUNTAS FREQUENTES
O DBS cura a doença de Parkinson?
O DBS não elimina a doença. Ele modula circuitos cerebrais para melhorar sintomas selecionados e reduzir oscilações motoras.
É preciso estar acordado durante a cirurgia?
Nem sempre. Existem técnicas com avaliação intraoperatória acordada e técnicas sob anestesia geral. A escolha depende do planejamento e das condições do paciente.
Os medicamentos são suspensos depois do DBS?
Alguns pacientes conseguem reduzir doses, especialmente após estimulação do STN. Outros precisam manter tratamento medicamentoso. A redução é gradual e orientada pelo neurologista.
O resultado aparece imediatamente?
Pode haver melhora inicial, mas o resultado final depende de cicatrização, programação progressiva e ajuste dos medicamentos ao longo dos primeiros meses.
A bateria precisa ser trocada?
Geradores não recarregáveis precisam ser substituídos quando a bateria se esgota. Sistemas recarregáveis exigem recargas regulares e também têm vida útil limitada.
AVALIAÇÃO ESPECIALIZADA
A indicação de DBS deve ser definida após revisão do diagnóstico, teste de resposta à levodopa, avaliação cognitiva e psiquiátrica, neuroimagem e discussão multidisciplinar. Para discutir um caso, entre em contato pelo WhatsApp +55 (11) 99628-8316 ou agende uma avaliação presencial ou por telemedicina.
Conteúdo revisto em agosto de 2026. Referências essenciais: Deuschl et al., New England Journal of Medicine, 2006; Follett et al., New England Journal of Medicine, 2010; Bronstein et al., Archives of Neurology, 2011.




