Dr. Eduardo Joaquim Lopes Alho
Neurocirurgião
CRM-SP 109.697
RQE 39.299
Espasticidade
A espasticidade é resultante da lesão nas vias dos neurônios motores superiores, causando ausência da influência inibitória sobre a musculatura. Como consequência, ocorre um estado de hipertonia caracterizado por contração muscular excessiva, clônus (tremores ao se estimular o arco reflexo) e, às vezes, movimentos involuntários.
Pode ser sequela de lesões cerebrais, como AVC, traumatismo craniano e ferimentos por arma de fogo; de lesões medulares, como traumatismo raquimedular e esclerose múltipla; ou de condições congênitas, como paralisia cerebral e disrafismos espinhais, incluindo mielomeningocele.
TRATAMENTOS CIRÚRGICOS
Além dos tratamentos clínicos e medicamentosos, existem alternativas cirúrgicas para casos de difícil manejo. Uma delas é a colocação de uma bomba de infusão de baclofeno. Inicialmente, realiza-se um teste para verificar a resposta ao baclofeno intratecal. Quando há melhora relevante da espasticidade, pode ser indicada a implantação de uma bomba sob a pele, geralmente no abdome, conectada a um cateter que libera a medicação diretamente no líquor.
Outra alternativa é a rizotomia dorsal seletiva, na qual uma parcela selecionada das raízes sensitivas é interrompida para reduzir a atividade reflexa excessiva. O procedimento pode ser indicado em casos selecionados, com objetivos funcionais definidos e avaliação multidisciplinar.
Outros procedimentos, como neurotomias periféricas, DREZotomia, mielotomias e técnicas de neuromodulação, podem ser considerados de acordo com a distribuição da espasticidade, a presença de dor, a função residual e os objetivos do tratamento.