Dr. Eduardo Joaquim Lopes Alho
Neurocirurgião
CRM-SP 109.697
RQE 39.299
Estimulação medular para dor crônica
A estimulação da medula espinhal, também chamada de SCS, é uma terapia de neuromodulação utilizada para algumas formas de dor crônica, principalmente quando existe um componente neuropático e os tratamentos convencionais não proporcionaram controle adequado. Um ou mais eletrodos são posicionados no espaço epidural e conectados a um gerador que produz estímulos elétricos programáveis. Na maioria dos casos, realiza-se um período de teste antes do implante definitivo.
PRINCIPAIS INDICAÇÕES
As indicações com maior experiência clínica incluem dor neuropática persistente após cirurgia de coluna, atualmente denominada síndrome dolorosa persistente após cirurgia de coluna tipo 2 ou PSPS tipo 2, dor radicular neuropática e síndrome dolorosa regional complexa. Outras condições, como neuropatias periféricas dolorosas e alguns padrões de dor lombar crônica, podem ser consideradas em pacientes selecionados.
A indicação depende do diagnóstico e do mecanismo predominante da dor. A SCS costuma ter resultados menos previsíveis quando a dor é predominantemente nociceptiva, quando existe uma causa mecânica corrigível ou quando a origem da dor ainda não foi esclarecida.
SÍNDROME DOLOROSA PERSISTENTE APÓS CIRURGIA DE COLUNA (PSPS tipo 2)
Algumas pessoas continuam com dor neuropática na coluna ou nos membros após uma ou mais cirurgias. Antes de indicar neuromodulação, é necessário revisar os exames de imagem e excluir compressão neural, instabilidade, infecção ou outra alteração que exija tratamento específico.
Quando predomina dor radicular neuropática e não existe indicação de nova cirurgia corretiva, a estimulação medular pode reduzir a dor e melhorar função e qualidade de vida. Estudos randomizados demonstraram benefício em grupos selecionados, mas a resposta individual precisa ser avaliada durante o teste.
SÍNDROME DOLOROSA REGIONAL COMPLEXA
A síndrome dolorosa regional complexa pode causar dor intensa, hipersensibilidade, alterações de cor e temperatura, edema e redução da função de um membro. A SCS pode ser considerada quando reabilitação, medicamentos e procedimentos menos invasivos foram insuficientes.
A estimulação do gânglio da raiz dorsal, ou DRG, é outra opção para dores focais, especialmente em regiões difíceis de cobrir com estimulação medular convencional. A escolha entre SCS e DRG depende da localização da dor, da anatomia, da experiência da equipe e do resultado do teste.
COMO FUNCIONA O TESTE DE ESTIMULAÇÃO?
Durante o teste, eletrodos temporários são posicionados no espaço epidural e conectados a um estimulador externo. O paciente utiliza o sistema por alguns dias e registra mudanças na intensidade da dor, capacidade funcional, sono, uso de medicamentos e realização de atividades previamente definidas.
Uma redução de pelo menos 50% na intensidade da dor é frequentemente usada como referência, mas a decisão não deve se limitar a um único número. Melhoras clinicamente relevantes de função, sono e participação nas atividades também precisam ser consideradas. Se o teste não demonstrar benefício suficiente, o sistema definitivo não é implantado.
IMPLANTE PERCUTÂNEO OU ELETRODO CIRÚRGICO
Eletrodos percutâneos são introduzidos por agulha e podem ser adequados para muitos pacientes. Eletrodos cirúrgicos em placa exigem uma pequena abertura na coluna, mas oferecem maior estabilidade e uma área de estimulação diferente. A escolha considera a região dolorosa, cirurgias anteriores, anatomia do espaço epidural e estratégia de programação.
Após o implante definitivo, os eletrodos são conectados a um gerador colocado sob a pele. Existem baterias recarregáveis e não recarregáveis. A compatibilidade com ressonância magnética depende do conjunto completo de componentes e das condições definidas pelo fabricante.
TIPOS DE PROGRAMAÇÃO
Os sistemas atuais podem oferecer estimulação tônica com parestesia, alta frequência, burst, combinações de frequências, estimulação diferencial e controle em alça fechada baseado em potenciais evocados, conforme o equipamento. Diferentes formas de onda podem produzir respostas distintas no mesmo paciente.
Não existe uma programação universalmente superior para todos os quadros. A escolha é feita de acordo com o sistema implantado, o padrão de dor, a tolerância e a resposta clínica. Ajustes são comuns nos primeiros meses e podem continuar ao longo do acompanhamento.
RESULTADOS ESPERADOS
O objetivo é obter redução clinicamente relevante da dor associada a melhora funcional, do sono e da qualidade de vida. Algumas pessoas também conseguem reduzir medicamentos, sempre com orientação médica. O resultado do teste aumenta a capacidade de seleção, mas não garante que o benefício permanecerá igual ao longo dos anos.
A terapia funciona melhor quando integrada a reabilitação, atividade física orientada e tratamento dos componentes emocionais e sociais da dor crônica. Metas concretas definidas antes do teste ajudam a avaliar o resultado de forma mais útil.
RISCOS, LIMITAÇÕES E MANUTENÇÃO
Os riscos incluem infecção, sangramento, dor no local do gerador, fístula de líquor, lesão neurológica e complicações anestésicas. Podem ocorrer migração ou fratura do eletrodo, perda de cobertura, falha do gerador e necessidade de reprogramação ou revisão cirúrgica.
A bateria precisa ser recarregada ou substituída conforme o modelo. Mudanças no padrão da dor, progressão da doença e formação de tecido cicatricial podem modificar a resposta. Em caso de perda persistente de benefício ou complicação, o sistema pode precisar ser revisado ou removido.
PERGUNTAS FREQUENTES
O teste exige internação?
O protocolo varia. Muitos testes são realizados com permanência curta e acompanhamento ambulatorial durante os dias seguintes.
Vou sentir choques?
Programações tônicas podem produzir formigamento controlado. Outras formas de onda são utilizadas abaixo do limiar de percepção.
Posso fazer ressonância magnética?
Depende do modelo, dos eletrodos, da posição dos componentes e do protocolo do fabricante. A equipe deve verificar o sistema completo antes de cada exame.
O sistema cura a causa da dor?
A estimulação modula a transmissão e o processamento da dor. Ela não corrige automaticamente alterações estruturais ou a doença que originou o quadro.
AVALIAÇÃO ESPECIALIZADA
A indicação deve ser definida após revisão do diagnóstico, exames, tratamentos anteriores e objetivos funcionais. Para discutir um caso, entre em contato
pelo WhatsApp +55 (11) 99628-8316 ou agende avaliação presencial ou por telemedicina.
Conteúdo revisto em agosto de 2026.
REFERÊNCIAS ESSENCIAIS
Kumar et al. Neurosurgery, 2008 — seguimento de 24 meses do estudo randomizado PROCESS.
Deer et al. Pain, 2017 — estudo randomizado ACCURATE comparando estimulação do DRG e estimulação medular.
Rigoard et al. Pain, 2019 — estudo randomizado de estimulação medular para dor lombar predominante após cirurgia de coluna.