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Tumores cerebrais

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Os tumores cerebrais podem ser classificados como primários (originados do próprio sistema nervoso) ou secundários, quando existe um tumor em outra parte do corpo e ocorre metástase cerebral. Os tumores metastáticos, são em sua natureza, malignos. No caso dos tumores primários existem diversos graus de malignidade, sendo que esta depende do seu subtipo histológico e comportamento. Algumas vezes um tumor com subtipo histológico benigno pode apresentar um comportamento desfavorável, dependendo do seu tamanho e estruturas que envolve.

As apresentações clínicas mais comuns são déficit  neurológico progressivo (68%), frequentemente fraqueza motora (45%), cefaléia (54%) e convulsões (26%). A dor de cabeça relacionada a tumores pode estar relacionada à náuseas e vômitos e deve ser investigada nos casos em que a cefaléia seja nova (pacientes que nunca a sentiram anteriormente), de caráter progressivo, e sem melhora com analgesia comum. Muito embora existam muitos tipos de cefaléia resistentes ao tratamento medicamentoso que não têm relação com condições cerebrais malignas, a avaliação de um especialista neurologista ou neurocirurgião é indicada nos casos progressivos, de mudança de característica ou se associadas à mudanças comportamentais/déficits neurológicos/convulsões. 

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Meningeomas : São tumores com características histológicas em geral benignas, podendo ser identificados em exames como tomografia computadorizada e ressonância magnética. A indicação de cirurgia depende do tamanho da lesão, localização, taxa de crescimento tumoral, sintomas do paciente e outros fatores. Os meningeomas podem se localizar praticamente em todo o neuroeixo, incluindo a coluna vertebral. Embora geralmente com comportamento benigno, existem meningeomas malignos podendo até, em casos raríssimos, ocorrer metástases. A sua remoção cirúrgica pode ser parcial ou total, dependendo do tamanho e envolvimento de estruturas. Nos casos de ressecção parcial, existe a possibilidade de complementação terapêutica com radiação. A apresentação clínica depende da localização do tumor. Não necessariamente todos os meningeomas devem ser operados, é importante conversar com o seu neurocirurgião em relação aos prós e contras das indicações cirúrgicas.

 

Locais mais frequentes de meningeomas

Figura exemplificando locais possíveis de aparecimento de meningeomas 

Gliomas: Os gliomas são tumores originados das células da glia (células de proteção e nutrição cerebrais). Também podem acometer todo o neuroeixo, incluindo nervos periféricos. Existem vários subtipos (astrocitoma, ependimoma, oligodendroglioma, oligoastrocitoma, gangliocitoma, ganglioglioma, schwanoma, etc). Podem ser definidos como baixo grau de malignidade (como por exemplo o astrocitoma pilocítico), graus intermediários (astrocitoma anaplásico) e alto grau de malignidade (glioblastoma multiforme ou GBM).

O prognóstico dessas lesões é proporcional ao grau de malignidade, sendo melhor nas lesões de baixo grau e pior nas de alto grau. A taxa de recidiva depende da localização, grau de possibilidade de ressecção e grau de malignidade. Existe a possibilidade de tratamento adjuvante com radio e quimioterapia em casos selecionados. Os astrocitomas de baixo grau tendem a ocorrer em crianças e adultos jovens, sendo que a maioria inicia  quadro com convulsões. O glioblastoma multiforme é o tumor cerebral primário mais comum e também o astrocitoma mais maligno e com pobre prognóstico.

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A cirurgia dos tumores cerebrais visa a máxima remoção de tecido tumoral associada também à máxima preservação de função cerebral. Neste sentido, hoje em dia contamos com técnicas precisas de localização cerebral anatômica e funcional.

As técnicas de localização anatômica são a estereotaxia e a neuronavegação. Na primeira, é fixado um aro metálico na cabeça do paciente e realizada uma tomografia para localização. Esta técnica é normalmente preferida para alcançar estruturas profundas em biópsias estereotácticas (em que não será feita a remoção completa da lesão, apenas para diagnóstico). No caso da neuronavegação, não existe a necessidade de realização de tomografia com o aro fixo na cabeça. A fusão das imagens é feita após a fixação da cabeceira cirúrgica no paciente. 

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Em alguns casos de tumores de áreas chamadas eloquentes (áreas funcionalmente importantes como área da fala ou área motora), é recomendável que se mapeie a função fisiologicamente e não só anatomicamente (pois estas áreas podem variar muito de uma pessoa para o outra e inclusive na mesma pessoa em 2 momentos diferentes. Nestes casos, pode ser realizado o mapeamento cortical com o paciente acordado (awake craniotomy), em que o paciente interage com o neurologista durante o procedimento cirúrgico, ou ainda pode ser feita a colocação de uma placa cortical em um primeiro tempo cirúrgico, com mapeamento preciso das áreas funcionais após o término da anestesia e realização de um segundo tempo cirúrgico visando a remoção tumoral baseada no mapeamento feito com a placa. Esta técnica também pode ser empregada em pacientes com epilepsia para mapeamento da origem das crises.

cirurgia de tumor acordado com mapeamento cortical
mapeamento cortical

 Figuras : Mapeamento cortical com placa: As áreas funcionais do cérebro são mapeadas após o paciente acordar da anestesia. Tem as vantagens de eliminar o desconforto da necessidade de craniotomia acordado e examinar o paciente sem sedação, porém a desvantagem da necessidade de realização do procedimento cirúrgico em 2 tempos. 

 Neuronavegação para tumores cerebrais
Neuronavegação para tumores cerebrais

Figuras  mostrando os princípios da neuronavegação em que pontos da face do paciente são fundidos com as imagens de ressonância magnética, mostrando em tempo real a localização das estruturas anatômicas alterações patológicas

Schwanomas vestibulares: Também podem ser encontrados com o nome de neurinoma de acústico (embora sejam em realidade schwanomas e não neurinomas), tem como principais sintomas a perda insidiosa e progressiva da audição, com tinido de alta frequência e desequilíbrio. São tumores histologicamente benignos, porém em localização bastante delicada, de maneira que podem comprimir os nervos adjacentes (trigêmio e facial) e o tronco cerebral ou até mesmo nervos cranianos baixos dependendo do tamanho da lesão. A disfunção do nervo facial pode levar à paralisia facial, do nervo trigêmeo à dormência facial e dos nervos baixos, a distúrbios de deglutição. A compressão do tronco cerebral pode levar à sintomas graves, podendo chegar ao coma e morte. 

Existem algumas opções de tratamento que dependem do estado clínico e radiológico da lesão, podendo ser até expectante em casos de lesões diminutas, observando se ocorre crescimento em controles de imagem, até radioterapia e cirurgia. As seleções de cada opção de tratamento devem ser observadas individualmente, tendo-se em vista  tamanho da lesão, idade e clínica do paciente. As opções devem ser discutidas com médico do paciente. 

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Cistos colóides do terceiro ventrículo: São tumores benignos de uma região chamada de terceiro ventrículo. Estes tumores podem obstruir a drenagem de líquido céfalo-raquidiano dos ventriculos laterais, causando hidrocefalia. A indicação da cirurgia depende do tamanho da lesão, sintomas, e hidrocefalia associada. Pode ser ressecado microcirurgicamente ou endoscopicamente. 

Dr. Eduardo Alho, médico neurociurgião

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